lundi 20 juillet 2009

Poesia sem dor

Flores nos são a maior dádiva da vida.
Estão lá.Simplesmente são. Coloridas, perfumadas, exuberantes.
É inebriante sua quantidade de cores. Traços perfeitos. E são.
Mas ninguém as olha. Nenhum de nós pára sua vida apressada para admirar-lhes a beleza.
E as flores não o pedem. Estão lá, ornando, que é ao mundo seu grande préstimo.
Não reclamam para si cuidado, atenção ou sequer admiração.
Precisam de terra e água para sobreviver, como precisamos nós de alimentos.
Mas seu perfume e cor não lhes são vitais. E o possuem. E os dão a nós sem espera de troca.
Uma oferta generosa de vida, resumida a um pequeno ser, com um grande destino : ser Flor.
O velho


Quem sou eu
sou poesia sem amor
sou cor sem flor
relógio em atraso
à espera de expectativa
um erro do acaso eu sou


Quem eu queria ser
quem recolhesse pedras
escolhesse árvores sem tristeza
quem ao céu olhasse sem nada ver
quem tivesse mais pra ter


O que penso poder ser
eu não sei
mas não sei também
poder-se-ei ser o que quiser
uma vez cada dia
um para cada uma
assim, exasperadamente
inebriante
a descobrir o velho


Quem sou eu.