vendredi 20 août 2010

No fim sua alma era poema
Romanesca incurável
Falava de dores, de amores
De cheiros e cores
Era poeta afinal.
Escrevia às paredes
Listava seus inventários
Falava pelos cotovelos
Contava amigos imaginários
Enrolava-se às suas redes.
Na singela recordação
Acalentava o sono
Feita de poesia e imaginação
Era o que podia ser.


Mas em meio a outros era muda.

jeudi 19 août 2010

Quinta-feira

Embaixo do seu guarda-chuva verde
As palavras correm soltas, não fosse a língua presa.
Os pés molhados dentro do sapato marrom
Estão enrugados como a velha árvore.
Amanhã o tempo virá melhor.
Sobre os estilhaços das canções, dos refrões
Gastos de álcool e saliva
Cabe a vida num vidro
Numa tarde de quinta.

jeudi 5 août 2010

Porque a espera é infinita
Quando mesmo quista
Na busca errada que justifica qualquer erro cego.
Porque o azul é mais triste que o cinza
Que o branco desse céu
Eu nunca sei.
Então fico, depois de ter partido
E encontro seu gosto, suas cores
Tudo o que me quer em paz.
Então me entrego, exausta e suspensa
Às intenções aveludadas de saltos incalculados
Tudo o que o coração diz
À mente que não pensa.